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Inteligência Operacional é uma empresa criada por André Soares que é o seu Diretor-presidente. É pioneira no país na formulação e emprego de doutrina de Inteligência própria, consolidada oficialmente em suas obras publicadas, visando ao aperfeiçoamento da cidadania e do Estado Democrático de Direito no Brasil, em obediência aos princípios constitucionais, por parte das pessoas, organizações e instituições públicas que exerçam a Inteligência de Estado.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A ABIN e a Operação "Satiagraha"

Artigo de André Soares - 25/12/2012

Servidores da Agência Brasileira de Inteligência afirmam que há uma tentativa de militarização da atividade (Ed Alves/CB/D.A Press - 20/9/12)




As clandestinidades patrocinadas pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) na Operação “Satiagraha” constituem um dos mais escabrosos atentados da história contemporânea cometidos por serviços de inteligência contra o próprio estado. Lembremos que a Operação “Satiagraha” foi deflagrada em 2008 e sob o comando do então delegado Protógenes Queiroz foi uma das mais polêmicas ações da Polícia Federal (PF). Porquanto essa operação foi contaminada pela ilegalidade na produção de provas contra os investigados, especialmente a partir da participação clandestina da ABIN, que empregou ilegalmente meios operacionais, verba sigilosa (VS) e quase uma centena de seus agentes. Condenada em 2011 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a participação da ABIN na “Satiagraha” será julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Portanto, após o julgamento do “Mensalão”, o próximo desafio da mais alta corte do país será combater o desvirtuamento institucional que governa o principal serviço secreto nacional.
“Jamais presenciei, eminentes Ministros, ao defrontar-me com um processo, tamanho descalabro e desrespeito a normas constitucionais intransponíveis e a preceitos legais" é a manifestação literal do Exmo Sr Ministro Adilson Vieira Macabu no Habeas Corpus Nº 149.250 – SP a respeito das ilicitudes da ABIN na “Satiagraha”. Compreende-se entãoporque a agência goza de péssima reputação no círculo da comunidade internacional dos serviços de inteligência, que execra esse seu “modus operandi”. Não por acaso, isso nos foialardeado por Carlos Costa, chefe do FBI no Brasil por quatro anos, que sentenciou publicamente: “...a ABIN é uma agência de inteligência que se prostitui...”.
A verdade é que nossos governantes ressuscitaram no Brasil a degenerescência do Serviço Nacional de Informações (SNI), criando a ABIN, pela Lei 9883, de 07 de dezembro de 1999, como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), entregando o seu comando a uma inescrupulosa “comunidade de inteligência”. Inevitavelmente, sua história se caracteriza por uma sucessão de crises institucionais, que demandaram a exoneração de todos os seus diretores-gerais, envolvidos em obscuridades nunca apuradas. É nesse contexto que a “inexplicável” exoneração do diretor-geral Márcio Paulo Buzanelli é uma das verdades proibidas mais ultra-secretas da agência.
Destaca-se que a descoberta das ilicitudes da ABIN na “Satiagraha” se deu por mero acaso e não pela eficiência dos órgãos responsáveis pelo controle da atividade de inteligência no país, como a Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional (CCAI), os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o Ministério Público, os Tribunais de Contas, a Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional, e a Secretaria de Controle Interno da Presidência da República (CISET). Por sua gravidade, o então presidente Luís Inácio Lula da Silva não hesitou em exonerar toda a cúpula da ABIN. E as investigações realizadas produziram provas robustas no relatório do Inquérito Policial (2-4447/2008–SR/DPF/SP, de 24/07/08) do Delegado da PF Amaro Vieira Ferreira, e na CPI das interceptações telefônicas presidida pelo Deputado Federal Marcelo Itagiba.
Em seus desdobramentos, o delegado Protógenes Queiroz foi demitido da PF e condenado pela Justiça Federal, aguardando julgamento de recurso no STF, por ter foro privilegiado, em razão de sua eleição como deputado federal, na esteira dos votos do palhaço “Tiririca”, de mesma coligação partidária. Contudo, causa perplexidade nacional a absoluta impunidade governamental em relação à ABIN. Pois, a despeito do inaceitável vilipêndio constitucional perpetrado por seus dirigentes na “Satiagraha”, os mesmos permanecem incólumes ao estado de direito vigente.
O julgamento pelo STF da participação da ABIN na Operação “Satiagraha” é momento histórico que definirá o futuro da Inteligência de Estado no Brasil. Que a decisão da suprema corte seja mais um magnânimo exemplo a inaugurar no país o ensejo de uma Inteligência nacional eficiente, comprometida com ditames constitucionais e com o estado democrático de direito. Caso contrário, abrir-se-á precedente irreversível, vitimando a sociedade à ameaça de serviços secretos desvirtuados, a exemplo da Operação “Satiagraha”; e fomentando atentados ao estado e à soberania nacional, como a explosão do foguete brasileiro VLS-1, no Centro de Lançamento de Alcântara/MA, em 2003, que além dos incalculáveis prejuízos, assassinou impunemente 21 cidadãos brasileiros. E que Deus nos proteja!
 

 
“A Inteligência é um apanágio dos nobres. Confiada a outros, desmorona".
(Coronel Walther Nicolai - 1873/1934 - Chefe do Serviço de Inteligência do Chanceler Bismarck)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

ABIN, ou ORCRIM?

Artigo de André Soares - 05/10/2012

Servidores da Agência Brasileira de Inteligência afirmam que há uma tentativa de militarização da atividade (Ed Alves/CB/D.A Press - 20/9/12)



A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) não é a única instituição ineficiente do país. Contudo, no âmbito dessa obscura organização, a verdade inconteste é que a sua ineficiência além de ser notória é também criminosa. Nesse contexto, o recente escândalo envolvendo um de seus oficiais de inteligência que espionava a própria a ABIN e "hackeou" centenas de senhas internas sobre assuntos sigilosos, constitui mais uma dentre as inúmeras de suas crises que vieram a público, resultantes da incompetência e diletantismo irresponsável de seus dirigentes. O que acontece na ABIN? Ninguém sabe. Nem os governantes do país. Isso porque os poderes executivo, legislativo e judiciário, bem como o ministério público, efetivamente não a controlam nem fiscalizam. Por essa razão, a ABIN é uma caixa-preta invencível, da qual nossos governantes tornaram-se reféns, temerosos de sua perigosa instabilidade que resulta da fúria retaliadora que inspira a “comunidade de inteligência” que a governa.
“Não imaginei que havia criado um monstro” foram as célebres palavras de arrependimento proferidas pelo General Golbery do Couto e Silva, ante ao desvirtuamento do Serviço Nacional de Informações (SNI), criado pela lei 4.341, de 13 de junho de 1964, do qual foi um dos principais idealizadores, e que foi extinto no governo Fernando Collor de Melo. Como o presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) não se afastou dos erros passados ressuscitou no Brasil o fantasma do antigo SNI, criando a ABIN, pela Lei 9.883, de 7 de dezembro de 1999, como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), entregando seu poder avassalador aos auspícios da “comunidade de inteligência” desempregada.
Evidentemente, não tardou para que o presidente Fernando Henrique sofresse em seu próprio governo com a primeira crise da ABIN, que culminou com a exoneração do seu primeiro diretor-geral. Infelicidade maior teve o presidente Luís Inácio Lula da Silva, recebendo esse explosivo legado do seu antecessor. Pois, ao longo de sua curta existência, a ABIN coleciona uma sucessão de crises institucionais, cujas sérias conseqüências ao país implicaram a exoneração sumária de todos os seus diretores-gerais, envolvidos em clandestinidades inexplicavelmente não apuradas. A última revelou à sociedade a pior crise de inteligência de nossa história, desvelada no festival de clandestinidades acobertadas pela ABIN, na Operação “Satiagraha”, em 2008, que levou o então presidente Lula a afastar imediatamente o diretor-geral e toda a cúpula da agência. A verdade é que essa atuação criminosa da ABIN constitui um dos mais graves atentados contra o estado, cometidos por serviços de inteligência da história contemporânea.
É motivo de indignação nacional a cumplicidade governamental com o obscurantismo desse ineficiente serviço secreto, vilipendiando o estado democrático de direito vigente. Caso contrário, revelar-se-á que a ABIN é protagonista de ações contra o próprio estado brasileiro, as quais são execradas pela cultura universal dos serviços secretos. A promiscuidade do desvirtuamento da agência é hospedeiro de serviços secretos estrangeiros e organizações criminosas (ORCRIM), que nela encontram terreno fértil para suas ações de espionagem, infiltração, cooptação, recrutamento, agentes duplos e corrupção generalizada. Por seus atos, os dirigentes da ABIN seriam exemplarmente punidos nas principais potências mundiais, condenados à prisão perpétua ou à pena capital, caso integrassem seus respectivos serviços de inteligência. Compreende-se então porque a ABIN goza de péssima reputação no círculo da comunidade internacional dos serviços de inteligência, diferentemente do SNI que alcançou reconhecimento internacional por sua excelência. Entretanto, essa inadmissível e vergonhosa realidade foi escancarada veementemente ao país por Carlos Costa, chefe do FBI no Brasil por quatro anos, que sentenciou publicamente: “...a ABIN é uma agência de inteligência que se prostitui...”.
A verdade histórica é que serviços de inteligência inexoravelmente se degeneram em ORCRIM quando se divorciam da doutrina da “Tríade da Inteligência” (Sigilo, Legalidade e Ética). Todavia, nossos governantes persistem em recrudescer erros históricos, fomentando a metástase institucional da ABIN, que fere de morte os princípios constitucionais em que se edifica o estado brasileiro. Contudo, parafraseando analogamente a máxima do brilhante filósofo Maquiavel: “cada povo tem a inteligência que merece”.

 
“A Inteligência é um apanágio dos nobres. Confiada a outros, desmorona".
(Coronel Walther Nicolai - 1873/1934 - Chefe do Serviço de Inteligência do Chanceler Bismarck)

sábado, 22 de setembro de 2012

O "diletantismo irresponsável" da Inteligência no Brasil

O "diletantismo irresponsável" da Inteligência no Brasil
Artigo de André Soares - 25/03/2012


“O melhor que se pode dizer sobre o que acontece aqui é um diletantismo irresponsável” é história proibida da Inteligência de Estado de um importante e promissor país emergente; mas que se divorciou das sábias palavras do coronel Walther Nicolai, chefe do serviço de inteligência do chanceler Bismarck, que profetizou: “A Inteligência é um apanágio dos nobres. Confiada a outros, desmorona".
Pois, essas palavras foram proferidas numa tensa e ríspida reunião sigilosa à principal autoridade do órgão central do sistema de inteligência daquele país, em razão das graves irregularidades cometidas pela cúpula do seu principal serviço secreto. Contudo, visceralmente comprometido, esse dirigente máximo não hesitou em retaliar clandestinamente o seu interlocutor, que evidentemente caiu em desgraça. Todavia, numa reviravolta surpreendente, aconteceu o inimaginável num serviço de inteligência de um estado democrático de direito. Pois, numa reunião secreta, urgentíssima, estava o referido dirigente máximo da inteligência nacional, cabisbaixo, nervoso e visivelmente abalado, pedindo solenes desculpas oficiais, em nome da principal agência de inteligência nacional, pelos referidos desvirtuamentos cometidos, cujas escusas foram apresentadas subservientemente à pessoa daquele mesmo protagonista que hostilizara.
Na verdade, esse inadmissível capítulo da inteligência daquele país constituiu um desesperado estratagema governamental para evitar a todo custo que o "diletantismo irresponsável" de seus serviços de inteligência fosse revelado. Porém, o seu resultado final foi desastroso porque o referido protagonista reagiu veementemente contra a subseqüente e inescrupulosa tentativa de sua cooptação. Destarte, o que se seguiu naquele gabinete ultrassigiloso reflete a gravidade do caso em testilha porque “quem deve, teme - e treme”. Assim, temeroso da sua inevitável responsabilização, o dirigente máximo de inteligência descontrolou-se em ingentes ameaças ao referido protagonista que, sendo provenientes da direção-geral do principal serviço secreto de um país, trata-se da mais tácita e fatal condenação que uma pessoa pode receber em vida.
“Não imaginei que havia criado um monstro” foram as célebres palavras de arrependimento proferidas pelo General Golbery do Couto e Silva, ante à degenerescência do Serviço Nacional de Informações (SNI), criado em 1964, do qual foi um dos principais idealizadores, e que culminou com sua extinção no governo Fernando Collor de Melo. Como o presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) não se afastou dos erros passados ressuscitou no Brasil o espírito do antigo SNI, sob a denominação de Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), criada como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), pela Lei 9883, de 07 de dezembro de 1999. Com pouco mais de uma década de existência, a história da ABIN se caracteriza por sua escandalosa e generalizada ineficiência, contaminando o SISBIN e por uma sucessão de escândalos e crises institucionais de âmbitos nacional e internacional, cujas danosas conseqüências implicaram a exoneração de vários diretores-gerais, ao longo dos governos FHC e Lula.
Na atual conjuntura, o Brasil sofre a maior e pior crise institucional de inteligência sem precedentes na sua história, incipientemente desvelada à sociedade, em 2008, no festival de clandestinidades da Operação Satiagraha, criminosamente patrocinadas pela direção-geral e toda a cúpula da ABIN. Em pleno governo Dilma Rousseff, nada efetivamente foi realizado contra esse intolerável estado de coisas. E, no epicentro desse caos que vive a Inteligência de Estado no Brasil, a ABIN e o SISBIN continuam uma "caixa preta" invencível, sem controle, em flagrante atentado contra o estado democrático de direito vigente, obscuramente protegida pela impunidade, inação e rápido esquecimento de nossos governantes sobre seus crimes praticados contra o estado brasileiro, cujos culpados nunca foram responsabilizados; e sob a cumplicidade dos órgãos de controle, dos poderes executivo, legislativo, judiciário e do ministério público.
No momento em que aquele protagonista saiu do gabinete da presidência da república, após o derradeiro e fatídico desfecho sobre o “diletantismo irresponsável” que impera na inteligência nacional daquele país sem história, ele sabia sobejamente sobre o terrível destino que o aguardava, e que as piores contingências acometeriam os desígnios do seu país e da sua vida.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O destino da ABIN

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi criada pela Lei 9.883, de 7 de dezembro de 1999, como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), para assessorar a Presidência da República produzindo informações de interesse do Estado, salvaguardando-o de ameaças à nossa sociedade e à soberania nacional. Contudo, a verdade inconveniente que nossos governantes não revelam, por temer retaliação da fúria da “comunidade de inteligência”, é a sua ineficiência generalizada. Isso decorre de sua perigosa instabilidade institucional, constituindo-se numa caixa-preta invencível e sem controle, que o Estado constituído – poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e Ministério Público – teme fiscalizar. O que ocorre na Abin? Ninguém sabe. Nem nossas autoridades e governantes, nem seus próprios dirigentes.
Todavia, o próprio Estado brasileiro predestinou a Abin a esses desígnios, pois uma instituição criada sob o corporativismo de uma comunidade obscura nasce desajustada. A Abin tem seus cargos de direção contaminados pelo nepotismo, exceção feita aos integrantes que nela ingressaram posteriormente, pela legitimidade da aprovação em concurso público, mas que são internamente preteridos e pejorativamente discriminados de “concursados”. Isso porque, em sua criação, a agência foi “aparelhada” com os grupos dessa comunidade, tornando-se reduto de grupos de ex-integrantes do Serviço Nacional de Informações (SNI); militares temporários da reserva do Exército desempregados e muitos “amigos dos amigos”, que se digladiam inescrupulosamente pelo poder. Obviamente que o resultado não poderia ser diferente dos sucessivos escândalos nacionais e internacionais que maculam sua atuação, cujo agravamento conduziu nosso país à maior e pior crise institucional de inteligência de sua história.
Em uma década de existência, a Abin conturbou os governos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso, seu idealizador, e Luiz Inácio Lula da Silva, herdeiro desse explosivo legado, conquistando o infeliz recorde da exoneração de cinco diretores-gerais, todos envolvidos em sérias irregularidades, inexplicavelmente não apuradas.
Agora, a presidente Dilma Rousseff, com mais de um mês no poder, vive o recrudescimento desse grave problema, deparando-se com a recorrente questão: o que fazer com a Abin? O receio deste ensejo desencadeou recentemente uma avassaladora ação de seus “arapongas”, pressionando a Presidência da República e a sociedade, tomando como pretexto uma pseudorrepresentatividade nacional de suas associações, ferindo de morte os princípios da hierarquia, disciplina, e do sigilo institucional, sempre convenientemente evocado para encobrir a publicidade de suas ações. Todavia, essa é apenas uma inexpressiva parcela da guerra clandestinamente travada pela autofágica comunidade de inteligência, que alcança diversas instâncias do poder público.
Vale dizer que a Abin foi criada originalmente subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR), sucedâneo da antiga Casa Militar, o qual é chefiado exclusivamente pelos generais da cúpula do Exército, principal protagonista da criação do Serviço Nacional de Informação (SNI), em 1967, no então regime militar. Lembremos que, não por acaso, o grande mentor da criação da Abin foi o general Alberto Mendes Cardoso, que foi também o primeiro chefe do GSI, legitimando a influência militar na atividade de inteligência. Porém, atribuir à subordinação da Abin ao GSI a causa da crise nacional de inteligência é desconhecer completamente essa problemática. A presidente Dilma Rousseff, em especial, compreende os riscos potenciais que essa conjuntura representa para a segurança nacional, pois o Brasil sequer tem uma política nacional de inteligência.
Ao que na verdade estamos assistindo são as manifestações explícitas de uma metástase institucional, por sua degenerescência aquiescida em mais de 11 anos de inépcia e diletantismo irresponsável de nossas autoridades. Se este é um problema afeto à inteligência de Estado, sua solução é exclusivamente de ordem moral, pois demanda de nossos dirigentes ter a coragem de enfrentá-lo, atitude que os antecessores da presidente Dilma Rousseff não tiveram. A sociedade brasileira vive a expectativa histórica e a esperança de que ela tenha esse mérito. Porque o destino de histórias dessa natureza já é conhecido de sobejo pela sabedoria popular que professa: “Do pau que nasce torto, até a cinza é torta”.

“A Inteligência é um apanágio dos nobres. Confiada a outros, desmorona".
 (Coronel Walther Nicolai - 1873/1934 - Chefe do Serviço de Inteligência do Chanceler Bismarck)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Espião da Abin é preso por investigar colegas

Espião da Abin é preso por investigar colegas

 

Agente foi detido pela PF na semana passada, depois de violar mais de 200 senhas. Desafio do serviço de inteligência é descobrir para que serviriam as informações roubadas
Foto Correio Braziliense

Prisão do "inimigo íntimo" expôs fragilidades da segurança e deixou a agência em situação constrangedora


A Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ligada diretamente à Presidência da República por meio do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), foi espionada por um oficial de inteligência do próprio órgão. Um inimigo íntimo. Até ser descoberto, o espião já havia conseguido "hackear" 238 senhas dos investigadores que trabalham em investigações estratégicas. No fim da tarde da sexta-feira passada, a Polícia Federal (PF) montou uma operação e conseguiu prender o infiltrado em flagrante dentro de sua sala de trabalho na instituição. O episódio delicado, tratado de maneira sigilosa até então, expôs de maneira constrangedora a fragilidade da estrutura responsável por investigar, principalmente, ameaças potenciais ao chefe de Estado.
Agora, o grande desafio da Abin e da PF é tentar descobrir para quem o investigador trabalhava. Após ser preso, o servidor foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, na Asa Sul. Ele foi libertado no sábado, após a Justiça arbitrar fiança no valor de três salários mínimos e meio.
No início da noite de ontem, o GSI confirmou a informação. Em comunicado encaminhado ao Correio, o gabinete ressaltou que o órgão, em parceria com a Polícia Federal, esperou o momento oportuno para prender o agente. "Na última sexta-feira, a Abin decidiu ser o momento oportuno para contatar a Polícia Federal, que instaurou o procedimento legal que a situação requer, com base no Código Penal Brasileiro", diz a nota oficial. A Abin comunicou que a Corregedoria-Geral da autarquia instaurou processo administrativo disciplinar para dar seguimento às medidas administrativas cabíveis. Só depois disso, o araponga será expulso do serviço público.
"A agência verificou um fluxo atípico de dados em uma estação de trabalho na sua sede em Brasília. As atividades desenvolvidas nessa estação foram acompanhadas, identificando diversas ações vetadas por regulamentos e normas legais", salienta o GSI.
A PF confirmou oficialmente que o agente foi enquadrado por violação de sigilo funcional, crime previsto no Artigo 325 do Código Penal, com pena de seis meses a 2 anos de detenção ou multa, se o fato não acarretar consequências mais graves.
Como na maior parte dos órgãos estatais, os cargos da Abin são preenchidos, desde 1994, por meio de concurso público. Ainda fazem parte da agência alguns ex-funcionários dos órgãos de inteligência que a antecederam, sobretudo do Serviço Nacional de Informações (SNI), criado na ditadura militar e extinto pelo presidente Fernando Collor de Mello em 1990.
A criação da Abin proporcionou ao Estado brasileiro institucionalizar a atividade de inteligência, mediante ações de coordenação do fluxo de informações necessárias às decisões de governo.
Memória
Imagem maculada
A Abin sofreu um grande desgaste no ano passado, depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou ilegais as investigações da Operação Satiagraha e anulou a ação penal em que o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, havia sido condenado por corrupção ativa. A defesa do banqueiro alegou que os agentes da Abin, sem amparo legal, participaram das investigações diretamente, com grampos telefônicos e monitoramento de dados. Parecer do Ministério Público Federal opinou pela nulidade de toda a investigação.
Por João Valadares - Correio Braziliense

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Livro Liderança Operacional,





 
A doutrina de Liderança Operacional, que constitui a liderança exercida pelos verdadeiros e autênticos Agentes Secretos, foi desenvolvida por André Soares, contextualizada como manifestação inerente à doutrina de Inteligência Operacional, para ser empregada por qualquer pessoa, em qualquer situação, ou circunstância da vida real.
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A defesa nacional e a "arte da guerra"

"O objetivo da guerra é a paz!" Estas são célebres palavras, proferidas há mais de 2000 anos, por Sun Tzu, renomado estrategista militar chinês, que demonstrou com grande sabedoria que a guerra pode ser justa, ética e nobre. Magnânimo reconhecimento internacional da "Arte da Guerra" ocorreu em 2009, na entrega do prêmio Nobel da Paz a Barack Obama, presidente dos EUA e comandante em chefe da maior potência bélica do planeta. O que se viu naquela distinta cerimônia de homenagem à paz foi o presidente americano Barack Obama discursar ao mundo uma magnífica exaltação à “Arte da Guerra”.
A guerra não deve ser entendida como uma “maldição dos militares”, pois guerras são deflagradas por políticos e não por soldados; conquanto sejam estes os que empenharão seu sangue e as próprias vidas, em defesa da pátria. Se guerras são lutas entre nações - e não disputas entre exércitos - a "Arte da Guerra" é uma condição que afeta ao estado e à cidadania, não uma prerrogativa militar. O combate e a diplomacia são seus instrumentos e ambos consistem em vencer pelo emprego da força. O combate é a força da dissuasão e a diplomacia a força da persuasão. Porém, a “Arte da Guerra” quando dissociada de qualquer um deles degenera-se perigosamente.
No Brasil, infelizmente, nossos governantes, ao longo da nossa história, se embriagaram com a estupidez de achar que o pacifismo e o não imperialismo nacionais imunizariam o Brasil contra as guerras, relegando nossas Forças Armadas ao ostracismo operacional. Atualmente, sob o ponto de vista de emprego militar para a defesa nacional, as Forças Armadas brasileiras são não-operacionais. Isto significa que são capazes de lutar, mas não de vencer, porque tropas operacionais são forjadas nas lides do emprego em combate, e não dentro dos quartéis.
Inúmeras são as deficiências de que sofrem nossas Forças Armadas: ínfimos recursos orçamentários; política nacional de defesa historicamente desencontrada e retórica; defasagem doutrinária de emprego militar; sucateamento do arsenal e indústria bélicos; crescente defasagem e dependência tecnológicas; vultosos e obscuros gastos com aquisição de equipamentos militares exclusivamente à mercê de critérios políticos e personalistas; deficiências de integração tático-operacional das três Forças; desvio funcional e priorização de atividades subsidiárias em detrimento das operacionais; cultura de valorização da "atividade-meio" e esvaziamento "da atividade-fim"; poder militar nacional superdimensionado, estruturado exclusivamente em ilhas de excelência das Forças Armadas; grave evasão, notadamente dos quadros de oficiais; e fuga da carreira militar por parte dos jovens brasileiros promissores que, embora vocacionados, acertadamente não se submetem a uma vida indigna de baixos vencimentos.
A comemorar, apenas o patriotismo exacerbado dos militares brasileiros, submetidos aos imperativos de uma vida totalizante, de renúncia e dedicação exclusiva ao país, embora marcada por indesejáveis privações impostas à família militar. Assim, há muito por fazer, a começar pela rediscussão do papel constitucional das Forças Armadas brasileiras e do assistencialista serviço militar obrigatório. É preciso lembrar que guerras não são vencidas apenas com o patriotismo de bravos soldados, mas por Forças Armadas profissionais e operacionais.
Esse cenário de flagrante vulnerabilidade do poder militar do país, além de comprometer nossa defesa nacional, inviabiliza a pretensão internacional dos nossos governantes de levar o Brasil a conquistar assento no Conselho de Segurança da ONU, como membro permanente. Pura ingenuidade imaginar que o seleto grupo das maiores potências bélicas do mundo (China, França, Rússia, Reino Unido e EUA), aceitará o ingresso de um país com poder militar não-operacional, como o Brasil.
A "arte da guerra" é a arte de viver, divisor de águas entre vencedores e vencidos, a exemplo da hegemonia dos EUA, que possuem bases militares instaladas em todo o mundo, partícipe de conflitos armados internacionais, como as recentes guerras no Iraque, no Afeganistão, e em aprestamento militar para uma intervenção armada no Irã. Que a sociedade brasileira reflita sobre a realidade de nossas Forças Armadas porquanto a próxima guerra sempre vem, e a história está a demonstrar que a defesa da soberania nacional tem elevado custo. Afinal, "o povo que não estiver disposto a lutar pela sua paz não a merece".

A "quarta onda"
Artigo de André Soares - 26/05/2010.

Alvin Toffler é um renomado futurista norte-americano que reviu a história sob nova ótica na sua memorável obra intitulada “A terceira onda” (The Third Wave). Nela, o autor demonstra que o desenvolvimento da humanidade foi fortemente determinado por três fatos que considerou os mais significativos da história e que denominou de “ondas”. A primeira delas foi a revolução agrícola há cerca de dez mil anos, a segunda foi a revolução industrial há 300 anos, e “a terceira onda” é a atual era da informação e do conhecimento em que vivemos. Hoje, no auge da eclosão da “terceira onda”, já se anuncia o advento da “quarta onda”. Todavia, contrariamente às “ondas” anteriores que ensejaram o crescimento e o desenvolvimento das civilizações, “a quarta onda” constitui um verdadeiro “tsunami” de destruição. Trata-se da “onda do espírito”.

Se ao longo da história a humanidade experimentou um desenvolvimento econômico exponencial extraordinário, conforme muito bem diagnosticou Alvin Toffler; atualmente as pessoas nunca estiveram tão vulneráveis e perdidas espiritualmente. Estresse, ansiedade, fobias, bipolaridade, depressão, assédio moral, “bullying”, síndrome do pânico, dentre outros, fazem parte do inevitável pacote de problemas psicológicos da vida moderna; e que levaram a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Gro Harlem Brundtland, no ano de 2000, a qualificar a situação das enfermidades e transtornos mentais como "a crise do século XXI". Em termos práticos, significa dizer que se hoje ainda há quem não tenha sido acometido por pelo menos alguma dessas doenças, no futuro próximo certamente será.

Prova disso são as demandas sociais crescentes pelos conteúdos de auto-ajuda, os recordes de lucratividade das editoras e livrarias na vendagem desses livros, a constatação tácita de que os consultórios dos profissionais da psique nunca estiveram tão cheios, o enfraquecimento das religiões mais tradicionais pela perda de fiéis, o surgimento de novas crenças e seitas, o recrudescimento do fundamentalismo e do fanatismo religioso, e as estatísticas alarmantes dos gastos previdenciários com o tratamento de doenças mentais em todo o mundo.

A destruição da “onda do espírito” já é uma realidade na vida das pessoas, das famílias, das organizações e dos estados. Seus efeitos comprometem a saúde dos indivíduos e seus custos crescentes inviabilizarão gradativamente a eficiência e o próprio funcionamento organizacional. Assim, avizinha-se o inexorável cenário de crises de natureza psicossocial, com conseqüentes prejuízos financeiros, econômicos e políticos para as sociedades, que já se fazem sentir. Entretanto, como sempre acontece ante a uma tragédia anunciada como esta, a incredulidade, a indolência, e a irresponsabilidade generalizadas, conduzindo à inação, contribuem para o agravamento de suas conseqüências.

“O que fazer?”

Pelas gerações atuais, muito pouco, pois força espiritual não se compra nas livrarias, não se adquire nas igrejas e templos, e não se recupera nos consultórios. Nesse contexto, as gerações futuras já nascerão comprometidas porquanto não escaparão da má influência e do triste legado que herdarão.

A boa notícia é que, como historicamente acontece, as grandes tragédias suscitam os melhores auspícios aos que, antevendo o futuro, são os mais inteligentes, os mais fortes, e os espiritualmente mais preparados.




O "pecado" mortal da Inteligência
Artigo de André Soares - 15/08/2010.

A Inteligência de Estado é o instrumento mais poderoso do estado constituído, por meio do qual o Estado pode absolutamente tudo (até o que ‘não pode’). É exatamente por isso que ela é apanágio apenas dos nobres. Caso contrário, desmorona. Sempre desmorona.

“Nós ganhamos a guerra da revolução e perdemos a guerra da comunicação” é o ‘mea culpa’veladamente assumido pelas mais nobres autoridades da Inteligência do Brasil. Todavia, a atual reincidência dos graves erros cometidos no nosso passado recente revela que esse crucial aprendizado não se consolidou, confirmando a infelicidade que vive a Inteligência nacional, pois “se errar é humano, persistir no erro é burrice”.

Este é o resultado do diletantismo irresponsável que predomina nessa atividade no país, a qual ainda está vitimada pelo único “pecado” mortal da Inteligência de Estado - a ingenuidade.

A Ingenuidade é o “pecado” mortal de acreditar em mentiras, quaisquer que elas sejam. Assim, nossa Inteligência está infestada de “pecadores”, responsáveis por conduzir o país ao sofrimento de sua maior e pior crise institucional de Inteligência de sua história.

Com isso, estamos à mercê da ação dos serviços de inteligência estrangeiros, do crime organizado e da corrupção, enquanto esses “pecadores” incautos fogem do ‘bom combate’, se escondendo na covardia de acreditar nas mentiras proferidas pelos próprios inimigos que deveriam combater.

Uma sociedade com uma 'Inteligência' assim não precisa de inimigos.

Se a Inteligência de Estado, em nome do Estado, pode absolutamente tudo; o que ela não pode é estar confiada aos ineptos, covardes e “pecadores”.



"O objetivo da guerra é a paz!" Estas são célebres palavras, proferidas há mais de 2000 anos, por Sun Tzu, renomado estrategista militar chinês, que demonstrou com grande sabedoria que a guerra pode ser justa, ética e nobre. Magnânimo reconhecimento internacional da "Arte da Guerra" ocorreu em 2009, na entrega do prêmio Nobel da Paz a Barack Obama, presidente dos EUA e comandante em chefe da maior potência bélica do planeta. O que se viu naquela distinta cerimônia de homenagem à paz foi o presidente americano Barack Obama discursar ao mundo uma magnífica exaltação à “Arte da Guerra”.
A guerra não deve ser entendida como uma “maldição dos militares”, pois guerras são deflagradas por políticos e não por soldados; conquanto sejam estes os que empenharão seu sangue e as próprias vidas, em defesa da pátria. Se guerras são lutas entre nações - e não disputas entre exércitos - a "Arte da Guerra" é uma condição que afeta ao estado e à cidadania, não uma prerrogativa militar. O combate e a diplomacia são seus instrumentos e ambos consistem em vencer pelo emprego da força. O combate é a força da dissuasão e a diplomacia a força da persuasão. Porém, a “Arte da Guerra” quando dissociada de qualquer um deles degenera-se perigosamente.
No Brasil, infelizmente, nossos governantes, ao longo da nossa história, se embriagaram com a estupidez de achar que o pacifismo e o não imperialismo nacionais imunizariam o Brasil contra as guerras, relegando nossas Forças Armadas ao ostracismo operacional. Atualmente, sob o ponto de vista de emprego militar para a defesa nacional, as Forças Armadas brasileiras são não-operacionais. Isto significa que são capazes de lutar, mas não de vencer, porque tropas operacionais são forjadas nas lides do emprego em combate, e não dentro dos quartéis.
Inúmeras são as deficiências de que sofrem nossas Forças Armadas: ínfimos recursos orçamentários; política nacional de defesa historicamente desencontrada e retórica; defasagem doutrinária de emprego militar; sucateamento do arsenal e indústria bélicos; crescente defasagem e dependência tecnológicas; vultosos e obscuros gastos com aquisição de equipamentos militares exclusivamente à mercê de critérios políticos e personalistas; deficiências de integração tático-operacional das três Forças; desvio funcional e priorização de atividades subsidiárias em detrimento das operacionais; cultura de valorização da "atividade-meio" e esvaziamento "da atividade-fim"; poder militar nacional superdimensionado, estruturado exclusivamente em ilhas de excelência das Forças Armadas; grave evasão, notadamente dos quadros de oficiais; e fuga da carreira militar por parte dos jovens brasileiros promissores que, embora vocacionados, acertadamente não se submetem a uma vida indigna de baixos vencimentos.
A comemorar, apenas o patriotismo exacerbado dos militares brasileiros, submetidos aos imperativos de uma vida totalizante, de renúncia e dedicação exclusiva ao país, embora marcada por indesejáveis privações impostas à família militar. Assim, há muito por fazer, a começar pela rediscussão do papel constitucional das Forças Armadas brasileiras e do assistencialista serviço militar obrigatório. É preciso lembrar que guerras não são vencidas apenas com o patriotismo de bravos soldados, mas por Forças Armadas profissionais e operacionais.
Esse cenário de flagrante vulnerabilidade do poder militar do país, além de comprometer nossa defesa nacional, inviabiliza a pretensão internacional dos nossos governantes de levar o Brasil a conquistar assento no Conselho de Segurança da ONU, como membro permanente. Pura ingenuidade imaginar que o seleto grupo das maiores potências bélicas do mundo (China, França, Rússia, Reino Unido e EUA), aceitará o ingresso de um país com poder militar não-operacional, como o Brasil.
A "arte da guerra" é a arte de viver, divisor de águas entre vencedores e vencidos, a exemplo da hegemonia dos EUA, que possuem bases militares instaladas em todo o mundo, partícipe de conflitos armados internacionais, como as recentes guerras no Iraque, no Afeganistão, e em aprestamento militar para uma intervenção armada no Irã. Que a sociedade brasileira reflita sobre a realidade de nossas Forças Armadas porquanto a próxima guerra sempre vem, e a história está a demonstrar que a defesa da soberania nacional tem elevado custo. Afinal, "o povo que não estiver disposto a lutar pela sua paz não a merece".

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A melhor idade

Artigo de André Soares - 06/09/2012

 



As pessoas com idade avançada são impropriamente denominadas de velhas. Porque como é notório que há pessoas que são velhas por toda a vida significa que o envelhecimento não é apenas uma conseqüência exclusiva do inexorável transcurso do tempo. Todavia, o aterrorizante medo da morte tem recrudescido a exacerbação do autoengano nos dias atuais. Destarte, verifica-se o emprego da manipulação logomáquica, visando ao mascaramento da inevitável fase terminal da vida, pela adoção de expressões eufemísticas como “idade da razão”, “idade da sabedoria” e “melhor idade”, dentre outras. Contudo e contrariamente ao senso comum, a verdade sobre o envelhecimento é trágica, o qual não é nem mesmo o apogeu das virtudes e sabedoria humanas. Essa dura realidade da vida foi brilhantemente retratada nas sábias e sinceras palavras de Rita Lee, a talentosa e irreverente rainha do rock brasileiro que, alcançando a “terceira idade”, declarou corajosamente: “...Envelhecer é uma merda!”
Não há nada de bom em envelhecer. Absolutamente, nada. Aceitar essa verdade inconteste é dolorosamente insuportável para a esmagadora maioria das pessoas. E a tragédia do fim da vida é ainda pior porque é pura mentira acreditar que o envelhecimento proporciona virtuosidades e sabedoria. Ledo engano. Porque envelhecer, além de ser o pior momento da vida em todos os sentidos, é a fase em que a maioria das pessoas fica ainda pior do que sempre foi. Todavia, a boa notícia é que a "melhor idade" existe e pode durar por toda a vida. Mas, para isso, é necessário compreender que o ser humano possui inúmeras idades, sendo quatro as mais importantes.
A primeira e menos importante delas é a “idade cronológica” que, sendo meramente quantitativa, é matematicamente referenciada em relação à data de nascimento. A despeito de ser motivo de preocupação e omissão especialmente pelas mulheres a partir da fase adulta, sua principal utilidade é referenciar o tempo de vida transcorrido. Nada mais. Todavia, alcançar o seu maior valor possível é a obstinação que a humanidade mais se preocupa, muitas vezes se esquecendo de que viver em quantidade só é satisfatório se houver qualidade de vida. Caso contrário, a existência humana se transforma em mero suplício.
A segunda idade em importância é a "idade aparente", que é a idade cronológica que as pessoas imaginam a respeito de outrem. Ela tem crescente importância social, notadamente a partir da maturidade, no sentido de se aparentar máxima beleza e jovialidade, próprias de "idade cronológica" inferior a que realmente se tem. A despeito de sua menor expressão no ranking das idades humanas, a "idade aparente" é considerada unanimemente como a mais importante de todas, em razão das inúmeras oportunidades auspiciosas que ela proporciona no mundo atual, dominado pela ditadura da “lei do mais belo(a)”.
Contudo, a terceira idade é muito mais importante que as anteriores. Trata-se da "idade física", que espelha a saúde, higidez e vitalidade do organismo. Investir numa excelente "idade física" é crucial para se viver bastante, mas principalmente por viabilizar máxima qualidade de vida. Infelizmente, a realidade da atual conjuntura é que as sociedades estão contaminadas por crescentes epidemias de natureza comportamental, devidamente alardeadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), principalmente a de transtornos mentais e de obesidade, revelando que as pessoas estão adoecendo, descuidadas de suas "idades físicas", tão essencial à saúde e à própria vida.
Por fim, a "idade psíquica" é a mais importante das idades humanas. Ela é a principal determinante da vida, pois é a idade do espírito e da alma de quem vive. Assim, a "melhor idade" é a "idade psíquica” dos jovens, cuja juventude não é proveniente apenas do corpo, mas principalmente da mente humana. Mas, o que é ser jovem? Ser jovem é possuir a virtude da rebeldia que, ao contrário do que se imagina, não é aspecto depreciativo da personalidade. Porque rebeldia é o atributo de caráter próprio de quem não se permite dominar, não é subserviente, não se subverte, não se vende, não se corrompe, não se escraviza, e luta apaixonadamente por suas ideias. Isso é ser jovem.
Portanto, enquanto o ser humano tiver o espírito da "idade psíquica" da rebeldia ele será eternamente jovem, a sua vida terá propósito e será vivida com tesão, terá graça, beleza, saúde, vigor, alegria e felicidade. Essa é a "melhor idade". E que seja eterna enquanto dure!